Quem nos quer

terça-feira, 21 de julho de 2009

vale ou passa...

Fui dar um rolé pela orla. Não é sempre que aparece um carro bacana pra dar uns bordejos.
O carro era de um camarada de um amigo meu. O Jorge, - “Pó, gente fina esse cara”, eu disse - convidou a gente pra passear de carro novo.
Sexta-feira, noite, verão... Eu tava de fogo.
- Vamo pra onde?
- Pelourinho.
- Nada, vamo vadiar na Pituba.
Quase meia noite, três caras circulando pela Pituba, só podiam tá procurando uma coisa... Puta.
- Rapá, olha aquela ali.
- Aquilo nem mulé é.
- Não cara, é sim.
Garoto inexperiente esse Jorge, não reconheceria uma mulher de verdade nem se ela aparecesse toda aberta na cara dele.
- Ô Vado, olha aquilo ali, fala se não é uma guria.
Ô sotaquezinho sulista caipira de uma porra.
- Rapá, eu acho que não é não.
- Porra!!!
Findamos a discussão quando a “coisa” (aquilo ali não era mulher, nem aqui nem no Afeganistão) virou a esquina e sumiu da nossa vista.
O Jorge dirigia que nem uma bicha. “Pé no porão, rapá”.
- Pô cara, o carro é novo.
- Novo? Desde quando carro de segunda mão é novo.
Era um corsa 2001 preto, de novo mesmo, só o pneu traseiro.
- E aí galera, pr’onde vamos?
Tava me dando nos nervos tanta bichisse. Como assim “pra onde vamos”?
- Cara, o plano é o seguinte, a gente cata três puta de 5 paus ou uma de quinze, mete nesse seu calhambeque fudido, leva pro motel mais próximo, faz nosso serviço e podemos ir pra onde você quiser depois.
Péssima idéia. Sair com camarada de amigo, é foda.
- Olha, olha, olha.
O Jorge ficou empolgado com uma loura de farmácia, pelo menos dessa vez era mulher, só não era puta.
- Vamo lá na rua do Tchê, cacete.
A gente já tava quase no Aeroclub, pegamos o retorno pra sair na Orla. Na porta do Tchê, um monte de traveco e umas “todas metralhadas”. Demos uma olhada... Nada.
- Vamo mudar de estratégia.
Primeira vez que concordei com o cara.
- É, o jeito é partir.
Vado deu a idéia cheque:
- Rio vermelho.
Mais uma vez o retorno, a gente ainda tinha que rachar a gasosa.
-Véi, eu preciso de de uma breja.
- Só no Bom Preço.
-Volta pra Manuel Dias.
No estacionamento do Bom preço não rolava nem fantasma. O lugar tava mais deserto do que estágio em dia de jogo da terceira divisão.
Entramos, pegamos as cervejas, Vado aproveitou pra pegar camisinhas pra gente (que cara legal/ isk) e leite pra filha de dois anos. Foi pegar, pagar e levar...
No estacionamento notamos um movimento. Jorge acelerou o passo. Carro sem seguro e sem alarme. Eu fiquei procurando, tinha ouvido risos, e era de mulher.
Entramos no carro, Vado no carona, eu no banco de trás.
Quando Jorge ligou o carro ela apareceu. Parecia uma aparição. “Puta mulher gostosa”.
- E aí gata, ta perdida? Quer carona?
Ela nem deu ibope, empinou ainda mais o rabinho, usava uma mini-saia de couro preto filha da puta. Meias até as coxas, casaco jeans.
- Tá sozinha? Vado até tentou.
- É quanto? Eu fui mais direto.
- Nada que você possa pagar.
- Aqui, no estacionamento do Bom Preço? Dou 5 paus, pra mim e pros meus amigos.
- 500, só pra você.
- Nem minha mãe vale tanto.
- Sua mãe deve ser amadora. Vê-se logo pelo erro que ela cometeu te deixando nascer.
Ela se aproximou, apoiou os cotovelos na janela, do meu lado. Tinha uma cara safada, a maquiagem bem forte, parecia a Julia Roberts naquele filme que ela faz papel de puta boazinha.
- E aí? Você vai encarar ou não?
- Por 500 pila, nem doido.
- Eu valho até mais.
- Os três por 30.
- você, por 450. Fui com a sua cara.
Ela sorriu mostrando os dentes perfeitos.
- Nem vai rolar.
-Então adeus.
Ela deu as costas, eu dei uma última olhada no material. Puta de luxo, carro do ano e tudo...
Saiu andando devagar, deixou as chaves do carro caírem, foi na hora que ela se abaixou pra pegar, bem na nossa frente, acho que vimos até o útero daquela criatura. Mas nem foi aquela xana excessivamente depilada, rosada e grande (puta merda era muito grande pra uma menininha daquela), que me deixaram louco. Tava lá, bem exposta, presa entre a meia e o espartilho (que troço esquisito e instigante). Uma cinta-liga vermelha rendada. Cara, eu já tinha visto em filme, mas assim tão perto daquele jeito... pulei a janela do carro corri atrás dela e, antes que entrasse naquele Fiesta vermelho, eu atravessei na frente dela.
- 450?
- Não, foi uma promoção relâmpago. Agora é 600.
- Aceita vale? Ri como se brincasse mas falava sério.
Ela me olhou como se fosse me dar um soco. Me empurrou e abriu a porta do carro. Quando ela sentou, mostrou de novo aquela pecinha demoníaca.
- Você escolhe o motel.
- Você não tem dinheiro nem pra mim, quanto mais pra suíte máster do PlayBoy.
- Pago no cartão. 20 reais e 60 vales. É tudo o que eu tenho, mas você não vai se arrepender.
Ela pensou. Nem dei tempo pra resposta, corri até os caras, “bora galera”.
- Só você. Ela berrou de lá do carro mesmo.
- É caras, fudeu.
- E vamos no meu carro.
Nem pensei duas vezes, pulei no banco traseiro do carro dela.
No dia seguinte, acordei na Paralela acho que foi um "boa noite cinderela", que mole. Nem tinha certeza se trepamos ou não. Passei a mão pelos bolsos da calça, na camisa. Nada. A puta não me deixou nem o transporte. Senti uma coisa apertando meu pescoço, era a cinta-liga amarrada.

6 comentários:

Chico disse...

= ]


Vc acertou...gostei!

Migule disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk...
Muito bom!!
como assim história roubada?

Bia Ferreira disse...

Só para esclarecer: "conversas roubadas", ouvi parte dessa história no ônibus, dois caras conversavam em voz alta.. o resto inventei mesmo...

Nana disse...

Mas o que é isso!!!????
Muito bom!! Me surpreendeu.. e eu que achava q vc so escrevia contos de amor!!!!!!!!!!!!

Alan Félix disse...

Adorei a hi(e)stória...

Essa sua capacidade de fantasiar e processar é incrivel... são as coisas efemeras...

Menina disse...

Sempre passo por aqui... leio essa historinha, como se nunca tivesse feito isso antes... sorrio e parto... mas sempre volto!