Quem nos quer

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Não tô pra ninguém.... e outros contos

Sim. A vida começa aos vinte...
A minha começou aos 12...
Não sou velha, gosto de velharias, mas ainda corre em minhas veias sangue imortal e peralta de ninfa. Os sonhos são menos utópicos, têm mais chances de se realizar, mas se não acontecer, tenho maturidade para compreender e assumir a parcela de culpa que me cabe, seja pelas precipitações, seja por perder a noção do tempo...
Esse conto fala sobre mim. De chegar em casa à noite e ligar a tv antes de acender a luz. De abrir várias vezes a geladeira sem pegar nada, de ficar com a porta aberta olhando para o nada da geladeira, como se lá tivesse um horizonte, e além dele estivesse o que eu procuro, atrás do pote de maionese talvez.
Esse conto fala de acordar às três da madrugada para beber leite na caixa, de dormir nua debaixo de um cobertor de lã grossa, de janela fechada, mesmo sendo claustrofóbica. Fala de bichos de pelúcia com nomes esquisitos, coleção de canetas sem carga, unhas ruídas pintadas de vermelho, lábios pintados de vermelho, alma vermelha e coração cigano.
Fala de vício em queijo com mostarda e chocolate, necessidade incontrolável de cafeína e culto ao gonzojornalismo.
Certa vez fui criança e achei que tudo era pra sempre, daí cresci e percebi que a única coisa pra sempre é essa mania que temos de acreditar que tudo é pra sempre. Pra sempre é tanto tempo. Mas eu ainda acho que vou amar pra sempre, sofrer pra sempre, chorar pra sempre e ser cheia de sonhos, não de planos, pra sempre.
“Tudo na vida começa com um sim” um dia eu disse sim a todos os meus impulsos e desatinos e aí nasceu a tempestade que habita a minha alma até hoje. Oh no, je ne regret rien, rien, riem, nem do que fiz, nem do que não fiz, pois se fiz tudo o que minha mente e meu corpo pediram. E até hoje faço, eu confesso, sou escrava dos meus desejos. Não controlo a mim mesma, ou melhor, controlo, sendo que sou eu quem quer fazer e faço, sem dor, sem culpa, mas não ignoro as conseqüências.
Me chamam de Pagu e eu gosto. Soluço suas dores, partilho de sua precocidade, acho que temos a mesma alma. Sofremos, mas não nos arrependemos de nada.
Esse conto fala de não ter medo de nada, só de solidão e baratas. Fala de amar intensamente, violentamente, destrutivamente. Fala de ser egoísta, imatura, insensata. De ser fraca e nunca demonstrar.
Certa vez decidi que não me esconder mais.
Esse conto fala sobre admitir que sou atéia, que não procuro por Deuses em lugar nenhum, que não preciso acreditar em nada para confortar minha alma. Tenho outros tormentos, outros questionamentos, que independem de seres surreais ou mitológicos, não concordo nem discordo das teorias, só não me interessam e pronto.
Certa vez decidi ser livre, a liberdade provém da solidão. Esse conto fala de ser contraditória, de mudar de opinião, mas sempre conservar a essência. Fala de ser livre para mudar de idéia quantas vezes me for conveniente, de não ter vergonha de assumir erros e maus julgamentos, de liberdade para fazer escolhas.
Esse conto fala da minha liberdade, de correr de olhos fechados na areia gelada da praia, de beber e ficar nua, de rir alto, de beijar meninas em banheiros de bares, em escadas de incêndio, em elevadores (é claro que sim, Lila)...
Esse conto fala de paixão, adoração, devoção à liberdade, de expressão, de escolha, de opinião.
Certa vez, num passado distante, eu achei que a vida seria melhor no futuro, mas o futuro nunca chega por que estamos presos nesse filme que só tem presente e às vezes eu me pego pensando em como a vida era boa no passado.
Esse conto fala de infância. De pular muro e cabular aula. De roubar revista de sexo em cima do armário da mãe para ler com as amigas. De brincar de comparar nossos corpos no espelho. De beijar meninos atrás da igreja, debaixo da mangueira. De se apaixonar e achar que é pra sempre, de se apaixonar de novo e achar que é pra sempre, de se apaixonar de novo, e de novo, e de novo... E sempre vai ser pra sempre.
Certa vez aos doze anos eu achei que ia morrer. Parte de mim morreu, foram os meus sonhos, no lugar deles, é claro, nasceram outros, e depois deles, vieram outros e eles estão em constante estado de reconstrução.
Esse conto fala de recomeço, de dores que eu fui reparar, por esses dias, que eu não sinto mais. De coisas que eu acho que não posso fazer, não devo fazer, não quero fazer, não mereço fazer, por mais culpa que eu tenha, e (me desculpe Habib), não vou fazer.
Esse conto é pra dizer adeus à certas coisas.


Publicado no sempre chove em 11/11/2005
(Nunca esteve tão atual)

5 comentários:

Valter disse...

Biazudaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!
Que foto é essa mulé???
Blog bonito, Gu não tá nem pra mim?
hehehehehehe
Bacana o texto, também tenho mania de abrir a geladeira pra nada.. hehe
beijo

Devir disse...

Eu me senti
e se foda quem estiver preocupado
para quem é esse conto
Eu me senti
foda-se eu também
se aquela estátua de anjo tristinho
evaporou-se no jardim
Foda-se voce também
já era tarde
aquela horrível estátua
que sonhou ser a de Lenin
porque nem se machucou
e eu já ia longe
quero só, só rir
cansei de chorar
andar sozinho, mal acompanhado
Eu senti
uma foda de gaz combustão virtual
esta noite, respiração forte
os punhos se fechando de tesão
somprando a tela, a face da f.

"Eu não sou vela..." Jamais
vou esquecer, Bia

Alan Félix disse...

Se permitir te conhecer. Posso descrever você.


Beijo!

Raysla Camelo disse...

Esse eu vou salvar aqui, porque por muito tempo foi nele que eu mais lembrei e foi por ele que procurei várias vezes o teu nome no Google para, quem saber, ver que estávamos com sorte, que você tinha outro blog, apenas não quis divulgá-lo. E foi vagando por pistas e rastros que eu cheguei aqui e tive esperança. Esse foi o texto mais esperando por mim desde o dia que o li.
Eu adoooro!

Beijo!

Anônimo disse...

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