sábado, 21 de novembro de 2009

I'm so sorry...

Ah meu bem não espere por mim, que meu coração é cigano, meu amor é um devaneio banal.
Ah meu bem não espere por mim, que minhas palavras são frivolas minha paixão não perdura até a quarta de carnaval....

off course i'll love U forever my america boy, but please, it does not wait more for me...

For My baby Patrick Antony Nagel....

sábado, 14 de novembro de 2009

Um diálogo


Anita - Qual a diferença entre goiaba e araçá?
Cácia - Sei lá..
Anita - Cê lembra a gente vinha aqui todo domingo pra roubar manga e perdia as tardes aqui trepando no pé de araçá.
Cácia - Eu não trepava em nada!
Anita - Deixa de ser besta, trepar no sentido de subir, não de sacanagem. Você só pensa em sacanagem!
Cácia - Olha só quem fala...
Anita - Há.. Como assim, nem é.. Vocês viviam dizendo que eu ia ser a primeira a dar, e não fui. Viviam dizendo que eu ia ser a primeira a engravidar, e quem tem filho é Lola. Viu só..
Cácia - É, mas a que come homem, mulher e tudo mais é você. A que não passa dois dias sem foder que fica doida é você...
Anita - E você agüenta muito...
Cácia - Agüento. Já passei dois meses..
Anita -Subindo pelas paredes e não falava em outra coisa. Até pensei em te comer a força pra ver se você acabava com aquela ladainha.
Cácia - Eca!! Você não ousaria..
Anita - Eca, digo eu. Já disse que pra você e Lola não sobe, de jeito nenhum, não rola, não mela...
Cácia - Tá, tá, já entendi..
Anita - Mas bem que você ia gostar...
Cácia - Oxe, deus me livre!!!
Anita - Deus te livre, deus te livre... Só faltava a Lola aqui agora...
Cácia - É mesmo, ela faz falta aquela cachorra.
Anita - Não chama ela assim!
Cácia - Por que não? Cachorra, cachorrona, putona, igualzinha a você...
Anita - deixa ela chegar e conto do que você tá chamando ela.
Cácia - Deixa ela chegar e eu chamo na cara... Agora só quer saber de ficar pendurada nos beiços daquele namoradinho...
Anita - Ê ciúme é foda mesmo viu...
Cácia - Ciúme?! Oxente!! Tem nada disso. Só que antes era melhor, a gente fazia tudo juntas..
Anita - É, todo domingo trepadas no pé de manga, de araçá... comendo tomatada, bebendo o vinagre com sal do tempero.. Andando de braço grudado pela rua recebendo cantadas sujas e fingindo que nem ouvíamos... Bons tempos..
Anita – Lembra aquele cara, quando a gente tava indo pro campo? Um gordo que fica naquele boteco perto de Dorinha? Foi a melhor cantada que eu já recebi na vida...
Anita – “Lindas como as três Marias, pena que têm a idade do uísque que eu bebo”, nunca esqueci.
Cácia – Vixe, a gente tinha o quê, uns doze anos..
Anita – É, e quando eu inventei de ficar com o Manoel lá no campinho, aí não deu pra eu ir, e a Lola foi no meu lugar... hahahaha... posso imaginar a cara dele quando viu que era outra, mas deu uns amassos mesmo assim.. Lola até hoje reclama que ele beijava mal.. Ainda bem que eu não fui..
Cácia – É, mas agora ela só tem tempo pra’quele cara chato..
Anita - Ele não é chato...
Cácia - É sim, e eu sei que você também não gosta dele..
Anita - Então vamos separá-los! Vamos tocar o terror!! Vamos trazer nossa Lola pra perto de nós novamente...
Cácia - Não! Ela ama ele, ele ama ela, temos que reconhecer. É um pai pro filho dela. Mais pai do que aquele retardado escroto do Rafael...
Anita - Então como vai ser?
Cácia - Ah, é só esperar... A gente esperou por você..
Anita - Mas eu era diferente..
Cácia - Diferente como cara-pálida? Você era é pior, quase casou... Você só viva pendurada nos beiços de Marcelo, parecia que tinham colado vocês. Nunca aparecia nas nossas reuniões... Só queria saber de foder, trepar, trepar, trepar... parecia uma planta trepadeira.. Vê como ele ta gordo agora? Antes ele não engordava de tanto que você secava o rapaz...
Anita - Nem é... E era diferente... e gente casou sim, não lembra?
Cácia - Ah, casamento de mentirinha.. Nem valeu...
Anita – Mentirinha? A gente morou junto um ano!!!
Cácia - Sei.. eu é que nunca abandonei vocês..
Anita - Você nunca namorou...
Cácia - Hum.. Oxe, tá repreendido em nome do senhor!!! Homem nenhum presta..
Anita - Meu Marcelo presta.
Cácia - Presta tanto que não é mais seu.
Anita - É sim, divido ele muito bem com Rosana.. Pena que ela não aceitaria se soubesse... Ai, ai, se ela quisesse ser dividida também.. Eu sei que ela me dá mole..
Cácia - Hum, a menina é crente Anita!
Anita - E daí? Eu também sou..
Cácia - Crente do cu quente..
Anita - Também.. Mas crente é aquele que crê e eu creio..
Cácia - Crê em quê sua bastarda?
Anita - No amor, na liberdade.. Também sou crente..
Cácia - Falar com você é até pecado viu..
Anita - Oras o pecado é uma coisa boa... Não entendo essas pessoas que ficam se martirizando... Se não fosse pra pecar, não existira arrependimento e perdão.. Ah, se esse tal de deus existe mesmo ele deve ser é um grande pederasta.
Cácia - Menina!! Misericórdia senhor! Que isso!!! Não fale assim de deus..
Anita - Ah, falo sim, se ele não gostar que me mande um raio partir a cabeça.. Pe-de-ras-ta. Pronto!
Cácia - Você é doida.
Anita - E aí, é goiaba ou arará?
Cácia - E eu lá sei...

II

Lola - Cheguei!!!
Cácia - Já era hora né...
Lola - É que Dan tava com febre gente.
Anita - Ai, e como ele tá, melhorou? O que aconteceu com meu sobrinho lindo?
Lola - Melhorou, teve nada não, é só o dente nascendo... Agora tá na casa do pai. E vocês, falavam de que?
Cácia - Putaria, como sempre..
Anita - Êpa, eu tava falando de goiaba.
Lola - De que?
Anita - Diz aí Lola, é goiaba ou araçá?
Lola - Eu acho que é araçá.. goiaba é maior...
Cácia - Essas aqui também seriam se a gente não arrancasse antes de maturar..
Anita - Tá dêvez..
Cácia - Ta é verde.
Anita - Iiiiiii, Cácia é toda, toda..
Cácia - Toda o que?
Anita- Toda chata..
Cácia - Chata aqui é você.. Toda metidinha a escritora.. Toda metidinha a jornalista..
Lola - Toda metidinha, enfim.. hahahahahahahahahaha
Anita - Aí, vocês mesmas gostam da putaria..
Cácia - E quem disse o contrário?
Cácia - Lola lembra quando a gente ficava lá no quartinho da sua casa nuas se apalpando?
Lola - Ixe, si lembro.. que perigo que a gente corria com essa tarada aí pegando na gente..
Anita - Ah, eu já disse..
Cácia - Sei, sabemos, pra gente não sobe... E se subisse era problema seu, meu negócio é H-O-M-E-M.
Lola - Ah, que besteira.. Será que tem a ver com o teu pinguelo Ani?
Anita - Como assim?
Lola - Vixe, teu pinguelo é grande pra caralho.. daqui a pouco é um pênis enrustido..
Todas - hahahahahahahahahahahahahahahaha....
Lola - Olha lá o guarda, vamos indo antes que ele venha procurar frete..
Anita - Deixa.
Cácia - Descarada.
Lola - Cachorra..
Anita - Cachorra é a puta que te pariu!
Lola - Então viemos todas de putas cachorras..
Cácia - Oxe, minha mãe é virgem!!
Lola - Do ouvido... hahahahaha..
Anita - Nada, o ouvido ela deu essa semana.. Contou-me..
Lola - E aí, vamos arrancar manga?
Cácia - Você tá de saia “Gabriela”..
Anita - Prefiro Dona Flor. E de saia é bom que dá pra abrir mais as pernas..
Cácia - De abrir as pernas você entende muitíssimo bem...
Lola - Eu detesto Jorge Amado!
Anita - Você detesta tudo, só gosta de trepar e pagode... Só quer saber do “vem neném”.
Lola - Tem coisa melhor?
Cácia – Mas agora a onda é “só as cabecinhas”, hahahahahaha
Anita - Eu tiraria o pagode..
Lola – vai dizer que você não gosta da putaria...
Anita - Não tão explicita... Não precisa ser assim tão... aberto. É de muito mal gosto...
Lola – Trepa feito uma doida e não gosta de pagode.. você é toda ao contrário...
Anita – Trepar é bom.. pagode não!
Cácia - Então viva as trepadas!!!
Todas - Viva!!!
Anita - Vamo chupar manga...


alguns nomes foram mudados para preservar a identidade de moças muito direitas   (ou não)




sábado, 7 de novembro de 2009

Em má compania>> capítulo XVII >> A luz azul e outras alucinações

Estávamos bêbados e eu olhava o céu sem estrelas, sem lua, apenas o breu cinzento das nuvens de chuva.
Ozzy deitou-se ao meu lado na areia úmida, puxou uma mecha do meu cabelo vermelho e cacheado e começou a enrolar entre os dedos olhando para o mesmo céu.
Estávamos bêbados e estávamos sozinhos naquela praia deserta de madrugada. Todos já haviam ido embora inclusive Joey. Ozzy e eu ficamos, transamos na água salgada e estávamos apenas deitados olhando para dentro de nossos pensamentos.
Estávamos bêbados e uma luz penetrou o denso cinza das nuvens.
“Puta merda!”, “Qual foi Ozzy?”, “To chapadão.”, “então ta, então.”, “Ta vendo aquilo ali?”.
Eu via muito embaçado tanto pela falta de óculos quanto pelo excesso de vinho barato. Eu via aquela luz e muitas coisas passavam pela minha cabeça menos o obvio. “Porra, você acredita em ETs?”, “Vai pra porra Ozzy!”.
A luz crescia, parecia vir do horizonte em nossa direção. Estávamos completamente sozinhos. Dois bêbados e uma luz azul que parecia pronta para nos engolir.
Eu abri bem os olhos tentando manter minha retina no lugar. Ainda estava tonta por causa da mistura de vinho, cerveja, vodka, whisky  e maconha e era difícil fixar o olhar. Tudo girava. Eu tinha sono.
Ozzy estava assustado, parecia estar no meio de uma alucinação, eu também estava. Mesmo assim continuamos deitados imóveis olhando para o céu atrás do mar.
De repente tudo a nossa volta se iluminou. Ozzy cantarolava uma daquelas musicas chicletes do Aerosmith, não lembro qual.
Mas quando o clarão nos pegou eu fechei os olhos e ainda assim continuava a ver aquela luz intensa. Azul, nem fria, nem quente. A tontura passou, a voz de Ozzy se distanciou. Estava consciente, mas era como se não estivesse.
Não tinha duvidas. Não estava mais na praia. Não sentia mais a areia úmida em minhas costas, nem o vento, nem Ozzy. Não havia nada. Mesmo assim eu não tinha duvidas de onde eu estava. Mesmo não sabendo onde estava.
Tudo escureceu e eu me vi num sonho. Eu sabia que era sonho. Eu sabia que a qualquer momento chegaria àquele penhasco de onde eu cairia, cairia, cairia e cairia. Seria uma queda infinita. Infinita até eu acordar. E enquanto eu caia, eu dizia a mim mesma “ora vamos, acorde isso é só mais uma versão daquele sonho manjado”, algo gelado me engoliu até a cintura.
Estremeci. Não era sonho. Era o mar.
A maré subira enquanto dormimos. O sol trazia uma manhã amarela. Pessoas passavam marchando de moleton e sunga e nos olhavam com ar de dúvida e reprovação.
Um cachorro cor-de-caramelo veio lamber o meu rosto. Ozzy roncava como um urso velho.


terça-feira, 3 de novembro de 2009

Então fica combinado é só sexo, amizade e rock 'n roll...

A boba aqui teve que estragar as coisas



apaixonei-me....


Lucy without sky


quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Filosofia de operador de telemarketing

Às vezes na vida a gente tem que colocar no mute, respirar fundo mandar o cliente ir para a Puta que o pariu, respirar de novo, sorrir ironicamente e tirar do mute:
- Deseja outra informação?
- não minha filha é só isso...
- A Caixa agradece a sua ligação, tenha um bom dia!
(desliga)



Algum dia vou descobrir como usar isso na vida... ele me disse:
- Me desculpe..
e eu disse..
- Está desculpado... por me dilacerar.


OBS: Fervam aqui com a Bia

domingo, 25 de outubro de 2009

A Balada do vinho chileno


Deixaram o vinho aberto. Lentamente o doce néctar de safra 1984 apodrecia e quando fora encontrado, naquele apartamento na Barra junto aos corpos, já estava mais avinagrado que o sangue daquelas veias.
Quatro dias depois dos assassinatos, ele ainda jazia ali em cima da mesa, mesmo depois do caso arquivado.Era o ano de 2004, logo, 20 anos depois da colheita das uvas.
Era um vinho tinto chileno de fabricação arcaica, de marca tradicional. As uvas foram pisadas com pés gentis e o processo de fermentação era lento e deliciosamente complicado. Raro! A única palavra para denominá-lo. Era um vinho raro.
Por 8 anos manteve-se intacto na adega rural de seus fabricantes (alquimistas?!). Esteve ao lado de outras safras tão raras quanto ele. Safras de 73 que lubrificavam a revolução.
Após 8 anos, finalmente fora manuseado e levado ao mercado. Leiloado junto com móveis e jóias antigas de uma família decadente. 1984 rendera sua última safra e aquela era sua última garrafa de vinho tinto suave.
No Brasil chegou de avião em 1999, na bagagem de mão de uma velha madame chilena de nariz empinado e seus 5 filhos doutores.
Tanta pompa não disfarçava bijuterias descascadas, nem quinquilharias e bugigangas que balançavam e também a pele flácida daquela senhora balançava e também o vôo na segunda classe balançou um bocado... Balançou tanto que deve ter sido um dos fatores que causaram o ataque cardíaco fulminante na pobre senhora. Morreu ali, no aeroporto mesmo, abraçada a sua valise que trazia seu segundo bem mais valioso. A garrafa do vinho raro de 1984, comprado em 92 alguns meses antes de sua fortuna partir, junto com um marido infiel e tão cardíaco quanto ela.
Morreu três meses depois de deixá-la na miséria, o desgraçado!!!
O enterro de Maria Dolores de Santiago teve de ser no Brasil mesmo, na verdade ela sempre soube que aqui que morreria. Não sabia porque, mas sempre soube. Sem luxo, só uma gaveta onde foi depositado seu corpo flácido e que terá de ser esvaziada depois de 8 anos.  
Na leitura do testamento em castelhano, alguns mimos e bobagens para os filhos mais novos, dívidas e as quinquilharias que valem menos que as taxas alfandegárias para trazê-las de Santiago, como alguns armários de madeira de lei empestados de cupins e livros raros, mas velhos.
O primeiro bem mais precioso da velha madame era seu filho mais velho Diego. "Tudo para Dieguito", dizia a matriarca aos empregados, orgulhosa de seu primogênito.
Diego formara-se médico na Califórnia. Seus irmãos, arquitetos, engenheiros, bacharéis em artes, nenhum advogado para evitar a derrota financeira da família.
"Para Dieguito", prosseguia o testamento, "meu bem mais precioso". E para Diego ficou a garrafa devinho tinto, safra de 1984. Para Diego e seus vícios...
Diego não bebeu do vinho na garrafa como previram seus irmãos, preferiu beber cachaça brasileira e perdê-la na jogatina (seu mais recente vicio).
 Duas semanas depois da morte de sua mãe, Diego vagava bêbado com uma legítima 51, ainda em seus tempos de "boa idéia" (porém marginalizada e nem um pouco internacional). Trazia a garrafa debaixo dobraço e a cabeça na bela morena que conhecera no bar. O tapa que levara no meio das fuças ainda ardia. Diego viu a luz, era uma luz branca, fria, e ficava cada vez mais próxima, mais próxima... A luz apagou, e agora barulhos estranhos e dores. Como médico Diego constatou: morreria. E morreu.
O velho vinho agora pertencia a Luis Cabral neto, especialista em pôquer, estelionato e agiota nas horas vagas.
Luis ganhou a garrafa de Diego numa honesta partida de bilhar. Foi uma noite de sorte. Andou pelo centro da cidade vadiando como o vagabundo que era com a rara garrafa de vinho numa mão, nem dando muita importância a sua importância. Na outra mão trazia algo mais valioso em sua opinião: meio quilo de erva pura e da boa, legítima inglesa (scank). Venderia a um playboyzinho da Pituba por 1000 pila.
Ia, mas não deu. Enquanto perambulava serelepe topou com a gang de seu arquiinimigo Rubinho ferrugem que já o havia jurado de morte caso cruzasse com ele de novo. Rubinho ferrugem era dono dopedaço entre os Barris e a Lapa, mas por azar de Luis, o ferrugem e sua gang   estavam fazendo ronda pela Piedade procurando algum otário para espancar. Foi realmente muita sorte do Rubinho.
Luis levou a maior sova, mas morreu  afogado quando tentou fugir pela Lapa, desceu o vale dos Barris e caiu no Dique do Tororó. Levaram 4 horas para emergir o corpo inchado do rapaz. Rubinho assistia tudo pela tv rindo como uma criança que acabou de fazer uma artimanha. Ele colocou a garrafa de vinhochileno na estante e planejava a comemoração de seu feito: Uma noitada daquelas no melhor motel da cidade com Dalila, sua namorada. A galeguinha de 17 anos disse certa vez que já estava quase pronta pra dar, e que teria de ser num lugar bonito e romântico. Feito. Rubinho apressou o preço do melhor motel da cidade, o mais caro. O carro emprestou do Chico, primo e amigo velho dono de oficina. Ele conseguiu um Corsa 2003 vinho, com bancos de couro e ar condicionado, o dono só ia buscar na sexta-feira.
Tempo o bastante para Rubinho convencer a namorada a cabular as aulas noturnas de supletivo e ir com ele ao "lugar mais romântico que o dinheiro poderia comprar", pelo menos por uma noite.
Tanta dedicação por um cabaço tinha uma explicação: Dalila esnobava Rubinho com tanta veemência no passado que fazia ele se sentir um nada. Rejeitado pela menina mais metida e gostosa do bairro, Rubinho decidiu entrar pros "negócios da família", ganhou a vida, fez dinheiro, reformou a casa da mãe e o cabelo. Agora Dalila morria de amores por ele. Namoravam há três meses.
Tudo pronto para a noitada. Rubinho se aprontava para buscar Dalila na saída da Lapa com o Corsa cor-de-vinho. Mas alguém ligava insistentemente para seu celular.
Se Rubinho não atendesse, fugiria da emboscada que lhe aprontaram. Armando, primo de Luis Cabral neto desafiara Rubinho para um pega na Paralela, alegando que se ele não fosse provaria ser um covarde, "sem mais ninguém, men, só eu e tu na pista, sem crocodilagem. Otário!", e assim marcaram às 3 da manhã em frente ao Extra.
Rubinho era traficante, mas era honesto e foi do jeito que combinou, sozinho, sem a gang, só levou a Dalila para torcer por ele e jogar o lenço no chão dando a partida que nem ele via nos filmes de Marlon Brando.
Rubinho chegou com o Corsa 2003 vinho emprestado de seu primo Chico na avenida Paralela às 2 horas e 45 minutos. Não viu uma santa alma e desceu do carro para checar os pneus. Abaixado e de costas o traficante honesto não viu quando Armando apontou a arma para sua nuca. Rubinho morreu com um tiro na cabeça e dois nas costas na frente de Dalila. A galega viu quando Armando o emboscou, mas não achou prudente se envolver.
Os tiros chamaram a atenção dos seguranças do Extra que chamaram a polícia. Foi uma perseguição curta e Armando fora preso com Dalila como cúmplice.
Rubinho não tinha herdeiros por isso a casa ficou fechada por um ano até as chuvas de outono, quando a Conder decidiu demoli-la, pois estava em área de risco. Todos os moveis e pertences de   Rubinho, inclusive a garrafa de vinho tinto chileno da safra de 84, descuidadamente guardado em cima da estante ao lado da televisão.
A o vinho foi posto numa caixa com outras cachaças e levado ao deposito da prefeitura para leilão.
Porém, quem se interessaria pelos pertences de um traficante mediano? Rubinho e seus pertences foram burocraticamente esquecidos.
Quatro anos esquecido dentro de uma caixa, ficou o vinho tinto chileno raro.
Oscar dos Santos Pereira, 24 anos, estudante, michê e segurança de boates nas horas vagas. Porte atlético e QI com dois dígitos (um bom partido!).
Oscar também era amante (por alguns mimos) de Marta Almeida de Albuquerque, casada, funcionaria pública, concursada, mas uma função muito definida. Passava a maior parte do tempo no depósito. Era adepta de pequenos furtos e só depois de quatro anos decidiu fuçar as coisa de Rubinho. Abriu primeiro a caixa com o vinho chileno que logo fez tilintar uma idéia em sua mente pervertida.
Marta acendia a última vela do castiçal em cima do bar quando tocaram a campainha. Era Oscar, com um sorriso manhoso. Ela o agarrou pelo colarinho da camisa de seda   amarela (presentinho de outra amiga) e o beijou puxando-o para dentro.
Riram e Marta abriu a garrafa de vinho chileno. O raro vinho foi servido a Oscar numa taça de vidro para chope. Marta bebericava o vinho curtindo o sabor leve e doce enquanto Oscar sorveu o liquido num só gole como se fosse um trago de pinga qualquer.
Marta preparava-se para servir Oscar outra vez quando ouviu o ruído da chave destrancando a porta. Seu sangue gelou.
- Zeca?!
- Sua desgraçada, eu sabia.
- Não!
Cinco tiros foram disparadas naquela noite no bairro da Barra. Quatro saíram da arma de Zeca. Dois atingiram Marta no peito e na barriga. Um atingiu a parede e o outro matou Oscar depois de quatro horas de hemorragia.
Zeca se atirou do 8° andar do edifício onde morou por dez anos com Marta, sua primeira namorada.
O segurança do bar atingido acidentalmente quando tentava apartar uma briga, foi internado com estilhaços de bala no abdômen, levou alguns pontos, mas passa bem.

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OBS: A Bia está fervendo em seu blog novo e coletivo...
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Fervam queridos!!!

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Sim!!!!

"Tudo na vida começa com um sim:
Um dia uma molécula disse sim para a outra e então começou a vida"
De a Hora da estrela Por Clarice Lispector (livre adaptação)

Eu digo sim ao atender o telefone e direi sim toda vez que o amor me chamar.
Eu digo sim para nossas noites insones, para as nossas farras sem hora, para esse seu jeito doido de me amar...
Se tu me quer ver, eu digo sim
E quando me indagam "tu o amas", eu digo sim
Se tu me perguntas "tu me queres?", eu digo sim...
Só não te pergunto se me amas o mesmo tanto por medo de sua franqueza me despadaçar...
Por que prefiro assim como tudo está, subentendido...
E quero gritar minha paixão por ti ao mundo, e quero que todos saibam a tola que sou por amar mais uma vez um canalha, um calhorda...
Sim, eu amo... Teu beijo, teu suor, tua barba roçando em eu rosto, teu sorriso, o som da tua risada, o som dos teus gemidos, o gosto do teu gozo...
sim, sim, sim... Quando você me faz rir com tuas piadas sem sentido, e até naquele dia que que me fez chorar baixinho...
Sim! Eu digo sim, e sempre direi sim toda vez que meu coração disser que quer amar.


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Em má compania>> capítulo XI>> Tatuagem

Não Lembro como essa história começou. Para variar eu estava bêbada numa festa na casa de um tal Muse. Ele morava em San Catty, Califórnia (apelido carinhoso de São Caetano).Aquela casa era um cubículo mal iluminado e com insetos mortos pelo chão. Mas é claro que ninguém se importava com isso. Éramos um bando de ratos bêbados ouvindo Ratos de Porão.
“Pó, você tem a pele tão branquinha. Massa pra tatuar...”
Spiga era tatuador. Não exatamente, ele andava com umas agulhas e dizia que eram para tatuar...
Ele era um cara estranho, super alto e magrelo e com tatuagens grotescas por todos os braços e pernas. Tinha os dentes esverdeados e os cabelos claros, desgrenhados e super embaraçados propositalmente, eu acho.
Sorri um sorriso lerdo, senti náuseas quando olhei para ele. “Então faz um desenho legal.”, “onde?”, “bem aqui”. E eu apontei para a minha bunda.
Joey se estourou numa gargalhada, “faz um duende”.Ozzy também se meteu, “faz um diabo e coloca um peircing no grelo”.“Cala a boca seu pederasta. Bora Spiga, quero um desenho legal bem no meio da minha bunda. Você ta lúcido pra tatuar agora?”, “Não!”, “Que seja...”
.Tomei o ultimo gole de vinho, joguei a garrafa de plástico verde atrás do sofá, levantei, abri o zíper da calça, “Vamo, cadê as agulhas?”, “peraí menina apressada. Vamo deixar isso pra outro dia”, “Brocha!! Outro dia eu não quero mais, posso não estar bêbada o bastante.”.
Joey riu outra vez “Você nunca está bêbada o bastante Lu”.
Fato.
“Eu posso garantir que você vai estar sempre bêbada!” Ozzy ergueu o copo e se jogou no sofá.
“Tá, talvez e esteja, mas outro dia eu não quero mais” e bati o pé.
Discutimos e eu insisti. Ele se rendeu e fomos para o quarto.“Ta bom, ce quer na bunda mermo?”. “Não. Quero aqui”, e apontei para a área acima da virinha esquerda.
“Vai tirando a roupa enquanto eu preparo o equipamento. Onde é que tem uma tomada nessa merda?”.
“Êba, strip!!”, Ozzy esfregou as mãos.
Fiu até a sala chamar Joey para ela segurar a minha mão, mas ela já estava com a língua amarrada na língua de uma garota que nem andava com a gente.
Voltei, agarrei a mão de Ozzy, deitei na cama e tirei a calça.
Spiga tinh dedos finos e unhas enormes. Esfregou a xilocaína por quase toda a minha barriga e tentava enfiar a mão por dentro da minha calcinha. “E qual vai ser o desenho?”
“Faz a fada verde do absinto”, “deixa de ser retardado Ozzy!”.
Spiga pegou um álbum da mochila. “Escolhe aí”.
Olhei aquele álbum de trás para frente, de cima para baixo. Nada que me agradasse. Tinha sono, ao mesmo tempo em que o fato de estar semi-nua numa cama com dois caras e muitas agulhas me fazia ter idéias excitantes. Sorri para mim mesma.“Quero essa aqui”, na verdade não queria nada, queria dormir.
Spiga ligou aquele motorzinho estridente e irritante. Senti uma quentura no osso do quadril, “Você disse que essa merda não ia doer”, “Toma mais um pouco de vinho e você não vai sentir mais nada”, “Vinho não, quero vodka, me dá esse copo aqui Ozzy”. Ozzy passou o copo para mim e eu virei um só gole.
O álcool desceu pela minha garganta querendo subir novamente. “Faz logo essa porcaria”, foi a ultima coisa que lembro ter dito.
Dormi até o meio dia do dia seguinte. Acordei com quinze martelos partindo minha cabeça, sem roupa e tatuada.
Spiga fez o desenho enquanto eu dormia. Ozzy e Joey me carregaram até o carro. Até hoje ele diz que fizemos uma orgia a três. Mas eu não lembro de nada.

A tatuagem, é uma rosa...

Luisa Blue

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Acho que ele é um sádico, não um calhorda...

Às vezes acho que ele apenas brinca com o meu amor...
Posso imaginá-lo sentado como um menino no chão, no meio do quarto, olhando enigmático o que tem nas mãos. E o que tem é o meu coração. e eu aqui, boneca, sem vida, só à espera daquele olhar...
Imagino que ele joga o coração pra cima com a destreza de um artista de circo. Faz a massa vermelha e pulsante girar no ar duas ou três vezes, num malabarismo débil, depois o deixa cair seguro no bolso largo da camisa...
Às vezes sinto sufocar, é como se ele tomasse o coração e o espremesse entre os dedos, na palma da mão o esmagasse.
Um aperto no peito, uma dorzinha fina, aguda, uma pontada... ai! agulhadas!
Também imagino às vezes ele saindo boêmio pela noite, deixando lá o meu coraçõa esquecido, trancado no escuro de uma gaveta. E eu sinto tonturas, pois tenho medo da solidão a que ele me priva. Ele me deixa em silêncio, não me diz palavra. Me tira também a alma, quando simplesmente inventa de esquecer meu coração...
Sim, ele é um sádico. E deve jogar todos os dias uma partida matinal de squash, bate e rebate meu indefeso coração contra uma parede de concreto. Sinto meu peito acelerado, angustiado, é o medo de cair, de ferir-se, de morrer!!!
Ah, mas às vezes, e creio eu, só pra me manter prisioneira voluntariamente (sim, pois tem o Dom da estratégia) ele o acaricia como um gatinho abandonado o meu pobre coração. Eu o sinto afagar em seus braços, talvez em noites de solidão. É um jogo doce de morde e assopra. Talvez sinta pena de mim, ou culpa por não cuidar tão bem do que tão prontamente lhe dei (sim, eu sei, dei por que quis... e nem me arrependo), e às vezes beija-o de leve e o acalma, ele derrete o meu coração quando me diz "Te adoro minha boneca".
E é assim mesmo que eu me sinto aqui, sem o meu coração, nesse tempo só de esperas...
Daí, assim que a janela se fecha, acho que ele também fecha meu coração no criado mudo, e é por isso que às vezes me sinto tão no escuro...

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Amor, amor, amor

"Um dia você acha sua tampa", foi o que ela disse...
"Não sei se quero ser fechada", eu respondi.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Não se apaixonar por um cafajeste...

É uma das coisas que deveria constar na lista de coisas que não se deve fazer de cada mulher.
É óbivio, tá na cara, não dá certo, todo mundo sabe, eu sei, todo mundo sabe.
Mas dá pra resistir?
Todo cafa, tem aquele olhar sedutor, uma voz melodiosa, diz tudo o que a gente quer ouvir, tem um sorriso lindo (geralmente bem safado).
É homem para todos os sentidos... e como é cheiroso, ai como é cheiroso.
O Cafa é sedutor e sabe que é sedutor.
Cafa não é tímido, é direto, vai certo no ponto (e no ponto certo), sabe todas as caricias, onde tocar (onde a gente treme e derrete).
Como não se apaixonar?
E pra que não se apaixonar?
Me apaixono sim, adooooooooro morrer de amores por um cafa é muito mais divertido.
Já amei homens bonzinhos também, ora são tão previsíveis.
Você sabe que ele também te ama, que você não corre o risco de ser traída.
Já repararam como sempre (sempre) as escolhas importantes ficam por nossa conta quando estamos com um homem "bonzinho". Isso vai do lugar onde jatarão esta noite à data do casamento.
A gente decide tudo, pra ele tudo tá bom, tudo tá certo....
Para o Cafa não, provavelmente não vai ter data de casamento e ele vai escolher outro restaurante com medo de você dar de cara com uma das amantes dele.
Cafas gostam de suspreender, eles têm o controle e apenas fingem que a gente é quem manda. E a gente finge que não sabe disso.
Cafas te mandam flores (pra você e mais dez ao mesmo tempo) e daçam bem. Tem sempre uma desculpa muito convincente (e se você desconfia demais ele some) e nunca querem conhecer sua família (e você vai pensar duas vezes antes de apresenta-lo a sua melhor amiga - ou devia).
Cafas te fazem rir, te fazem sentir unica... Aliás esse é o maior talento dos cafajeste. Eles tem mil mulheres mas conseguem dar atenção e assistencia a todas, como conseguem? Estão sempre disponíveis, sempre te chamando de meu amor (geralmente por não lembrar qual seu nome).
Eles te oferecem o céu, mas se você aceita, é problema seu!
É exatamente essa a questão. Se apaixonar por um Cafa não é problema, problema é ter expectativas.
Apaixone-se, ame os cafajestes, mas não espere nada mais do que as melhores noites da sua vida (estou falando de sexo do bom meu bem).
Saia com ele, dexe-se seduzir, seduza também, liberte-se (estou falando de coisas que você nunca faria com aquele cara "pra casar").

Aproveite, fantasie, use e abuse, e descarte-o (mesmo que doa muito) antes que ele faça o mesmo.

Ana

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

finalmente... o fim

Ele vai casar... Não estou triste, acho que não estou... não posso estar... já faz tanto tempo.
Tudo o que havia de ser chorado eu chorei.
Tudo o que havia de ser sofrido eu sofri.
Agora não é sofrimento. dozinha de cotovelo a toa...
Na boca vem aquele gosto amargo de final de doce... Fim de romance...
Agora o perdi de vez. Antes ainda havia esperança? Não sei. Talvez um talvez. Sempre esse talvez... talvez ele ligue, talvez ele volte, talvez...
Agora acabou de vez.
Ele vai casar, eu tive um filho.
Ele vai casar em setembro. Tinha que ser em setembro? Quando iamos nos casar também seria em setembro... (coincidencia?)
Ele vai casar e ela é tão diferente de mim. Então era o que procurava, o oposto de mim...
Ele vai casar e finalmente é o fim.

sábado, 5 de setembro de 2009

Da arte de amarrar os sapatos...

Odete saiu preocupada de casa. Não sabia exatamente com o quê. Sentia uma angustia, algo a prendeu na cama aquela manhã. Estava atrasada, mas não era isso que a preocupava. Na verdade, nem tinha pressa. Só sentia-se estranha.

Estranha se sentia sempre. Mas naquela manhã estava estranha... “Estranho”, pensou.

Andou o meio quilômetro de casa ao ponto de ônibus sem alardes. Não havia ninguém na rua para cumprimentar.

No ponto de ônibus, sentou-se, remexeu a bolsa à procura de um livro. “Droga!”, disse baixinho com sua voz de mosquito. Esquecera de que trocou de bolsa, deixou seu livro na outra... “Acho que vou colocar um livro em cada bolsa, parecia a melhor solução, pelo menos funcionava com os absorventes. Das chaves, ela já havia desistido, fazia com elas, como todo ser normal, colocava-as debaixo do tapete da porta mesmo. Pelo menos nesse aspecto Odete se sentia normal.

Ficou sentada sem saber para onde olhar. Faltava-lhe o livro, não sabia onde esconder-se e aos olhos. Decidiu olhar para o horizonte de onde vinham os ônibus, carros... lembrou-se que estava atrasada. Não sabia o próximo horário. Começou a pensar quanto tempo poderia ficar ali esperando, e sem um livro(!).

De repente notou que estava sendo observada. Havia vários passageiros de um ônibus parado a sua frente olhando para ela. Nunca desejou tanto um livro, um jornal, um guarda-chuva, qualquer coisa. Com a cara enterrada em seus romances “água com açúcar” de banca de revista, não percebia o quanto aquela situação era inquietante. Odiava ser observada. Todos aqueles olhos estranhos metralhando-a, dessecando-a, advinhando-a.

Sentiu uma quenturinha na face e os olhos não queriam parar em lugar algum. Decidi olhar para os sapatos, cronometrar os movimentos nervosos dos pés. Aquilo a distraiu.

Mergulhou em devaneios, pensou em sua preocupação. O que a preocupava? Não havia nada de anormal. Sua vidinha pacata ia na mesma. Acordar, trabalhar, almoçar, trabalhar, ser gentil com o chefe, trabalhar, ir pra casa, comer miojo, ver jornal, dormir, ter pesadelos ou sonhos estranhos, acorda... Seis dias por semana. No domingo era acordar, ver tv, olhar pela janela, ver tv, comer macarrão, receber um telefonema da mãe, ver tv, dormir, ter pesadelos ou sonhos estranhos, acordar (é segunda-feira).

A neblina densa de seus pensamentos se dissipou e ela reparou que continuava olhando para os sapatos, as não os seus.

Era um par de sapatos de camurça preto, ou algo assim. Tinha longos cordões da nilon. No pé esquerdo, um laço de engenharia infantil, muito mal feito. No direito, o mesmo laço desfeito.

O homem a seu lado cruzou a perna direita sobre o joelho esquerdo e atou novamente o laço mal feito com um engenho destro de um menino de quatro anos. Seguia arrisca e sem qualquer sofisticação o maçante Dobra-passa-puxa.

Odete riu. Abriu um largo sorriso e pensou em não conseguir controlar uma gargalhada.

Os cabelos longos estavam presos por um elástico, todo ele arrumado e trançado sobre o ombro direito. Esquecera de por um elástico na ponta da trança. Pensou que em poucos minutos seu penteado poderia estar desfeito. Tomou as pontas do cabelo e passou a retraçá-las até o ultimo fio. Mas assim que libertava a trança sobre o seio, as pontas dos cabelos se contorciam e repeliam destrançando novamente... “que raiva, que raiva...”.

Já deveria ter passado pelo menos meia hora esperando aquele ônibus. O homem do cadarço desamarrado dessa vez cruzou a perna esquerda sobre o joelho direito e desfez o laço mal feito, refazendo-o com o mesmo desleixo. Odete observou seus movimentos patéticos imaginando as horas.

O homem tinha no pulso um relógio enorme e digital. Odete tentou ver as horas naquele relógio, mas só via o primeiro digito, 7.

Pelo menos não passava das 7...

Odete tentou olhar para o tempo. Tentou medi-lo pelo movimento das nuvens no céu. Perguntou-se em certo ponto, por que nunca usava relógios. Não gostava de relógios, simplesmente não os entendia. Como poderia existir algo mecânico para dividir o tempo? O tempo não pode ser dividido, ele sempre core inteiro. O tempo é sempre um só. E deve ter passado muito tempo nesse devaneio pois foi trazida novamente a realidade pelo cruzar de pernas do homem a desatar e reatar o laço mal feito de seu sapato pela terceira vez. Na verdade, ele repetiria aqueles movimentos débeis de dobrar, passar e puxar o cordão de nilon frouxo mais quatro vezes. Sete é um numero cabalístico.Odete gosta do numero sete, mas não viu nada de animador num homem que amarra os cordões dos sapatos sete vezes. Só era estranho. Pensou em se oferecer para ensinar o homem a dar um nó de verdade.

Novamente começou a sentir aquela sensação de preocupação. Num movimento automático, trançou novamente as pontas do cabelo.

Esperou exatos dez minutos e trinta e cinco segundos até o ônibus chegar. Parecia ter sido uma eternidade. Quando avistou o ônibus no horizonte, tentou ver as horas novamente no relógio de pulso do homem do cadarço desamarrado, mas desviou o olhar quando percebeu que ele a observava trançando as pontas do cabelo.

sábado, 29 de agosto de 2009

Conto de primeiro beijo

Elas sorriam, sorriam alto por que tinham um segredo.
Ninguém imaginava, e por que imaginaria?
Era um segredo só delas, algo que nasceu delas, cresceu com elas, morrerá com elas...
O futuro ao próprio futuro pertence.
O jeito de uma, se completa na outra. O pensamento de uma, se concretiza na outra. As palavras de uma, se traduzem na outra. Hoje o paladar de uma experimentou o tutty frut do batom da outra.
O primeiro beijo começou dois dias antes. São muito amigas e dizem tudo que vem a cabeça, mas a natureza humana não permite que certos pensamentos sejam socializados.
Ai, as coisas que pensamos enquanto falamos... Se tudo fosse compartilhado sem filtros, sem seleção de palavras...
Nesse dia as confidências foram propositalmente mais eróticas. Sim, uma era curiosa, a outra queria excitá-la ainda mais. Os pensamentos foram quase que introduzidos manualmente.
Mas, é claro, não foram compartilhados. Porém ela soube pelo brilho do olhar e as frases soltas, não concluídas, que sua isca havia sido puxada.
Parecia uma brincadeira de crianças. São crianças.
De indiretas, vergonha, vergonha entre amigas?
Não falavam explicitamente do que fariam, parece que o segredo persistia inclusive entre elas. Quem dará o primeiro passo?
Não se separaram o dia inteiro. Procuravam implicitamente um modo, uma forma de se sentirem seguras, de fazer a outra sentir-se segura.
Quem nunca teve um segredo?
Uma estava afoita, era uma excitação quase indisfarçável.
A outra também, mas disfarça bem.
São muito parecidas, porém uma é toda emoções, a outra, uma parede de gelo.
A noite chegou, tinham que se despedir, logo teriam que se despedir de vez...
Era essa a hora, tinham que fazer o que seus corpos mandavam, o corpo de uma gritava pelo afago do corpo da outra... Seria amor? Não pura volúpia...
E qual melhor lugar para se apagar o fogo que uma escada de incêndio?
Risos, risos, muitos risos, gargalhadas... chegara a hora, não fugiriam, não fugiriam de si mesmas...
Num impulso, um lapso de coragem... foi brusco, mas os lábios se tocaram suavemente, depois as línguas, enroscadas, depois o sumo de frutas cítricas. O beijo de uma se encaixara no beijo da outra, como se já beijasse-se há dias, anos...
Tinham que manter o segredo, separam os lábios, isso as manteve mais unidas. Tinham um grande segredo e riam dele e deles todos que não sabiam...

Ana

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Mais uma coisa...

Numa crise "braba" de identidade (é.. a bia é meio doida e confessa), acabei expulsando a Gu!, minha persona sem vergonha, desse blog....
agora ela conta suas histórias aqui.

Mandei ontem a minha inscrição para o concurso de contos do sesc. Um livro de contos inéditos com 150 laudas... O primeiro lugar tem sua obra publicada pela Record. Desejem sorte (ou quebre a perna... tanto faz).


A Bia está muito feliz pois está amando... ai, ai... (e todas as outras personas, menos a Luisa Blue... essa não fica feliz nunca).

Meu gato morreu na ultima sexta... Meu filhote aprendeu a usar o peniquinho na ultima quarta... Minha mãe me pediu desculpas pela primeira vez na vida no ultimo sábado...

O livro com todos os capítulos da Luisa Blue está quase pronto...

Mais uma coisa: LILAAAAAA APARECE!!!!!

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Aí eu peguei e disse...

Fato: não tenho criatividade para criar títulos.. fico me batendo pra criar títulos de email.
recentemente me vi às voltas com um dilema (menos querida...). Que título dar um email de amor. Ou melhor, de desamor... ou melhor, de amor não correspondido...
Algumas considerações: É... a gente se apaixona e acha que se apaixonaram pela gente também.. mas quando você percebe que moram na mesma cidade e se falam mais por email do que tudo(ô coisa chata é a internet, mas imagina se não existisse msn, a gente ia conversar por carta? O telefone está fora de questão, somos de operadoras diferentes... droga de concorrencia!!) .. Tem coisa errada nesse balaio.
Então o que tá ruim fica pior. O cara some! Assim, pluft!
Então você vê que se apaixonou sozinnha (na verdade, antes você torce para que ele tenha uma boa desculpa pro sumiço, assim, como ter sido atropelado por um ônibus "e o orelhão da minha rua esava todo escangalhado, mas você crê se quiser {pretinha}").
Tive a ideia sublime de terminar o que nem começou direito por gmail mesmo.
Ah não pensem que eu não tentei um tete-a-tete, é claro. Mas tá pra nascer criatura mais indisponível. O telefone também só anda desligado (é obvio, ele não me quer!)
Tenho essa mania... gosto de por tudo em pratos limpo, pingos nos is, tracinhos Ts e etc e tal...
O plano era simples, dizer o que sentia e mandar ele pastar (eu gosto de ficar por cima).
O texto até que ficou bonitinho mas na hora dar um título, fui pega... não saiu. No fim, não enviei o maldito email...
O que aconteceu? Vocês devem me perguntar, nada. Eu devo lhes responder... Criatura simplesmente esqueceu de mim.. ou foi mesmo atropelado pelo tal ônibus (amém).

Lucy in the sky

terça-feira, 18 de agosto de 2009

55 dias...

Antes não havia esses sininhos que tocam todas as vezes que eu penso em você.
Antes não havia esse barulhinho bom que me faz coceguinhas nos ouvidos...
Antes não havia esse compasso acelerado no meu coração,
Esse bater de asas que se transforma o meu peito toda vez que toca o telefone (na expectativa de ser você me ligando).
Antes não havia essa calmaria, essa plenitude toda vez que ouço sua voz mansa me dizendo “Linda!”.
Antes não havia os delírios, devaneios, a inspiração, as fantasias...
Antes não havia essa inquietude...
Antes não havia os sorrisinhos que surgem do nada (do meu pensamento em você) ao longo do dia.
Antes também não havia essa saudade que me doe, até corroer a alma.
Antes não havia essa insegurança, essa angustia, esse medo de perder o que eu nem sei se tenho...
Antes não havia essa tristeza que me aparece de repente, assim sem motivo (é da tua ausência), assim sem aviso, assim sem querer..
Ah meu bem, antes eu não queria, me fechei aqui em meu mundinho pedindo a Deus para que trancasse a porta por fora.
Daí você sorriu e nada em mim me pertencia mais..
Ah lindo, antes tudo era difícil e eu achava que era fácil...
Agora tudo é tão confuso e se resume ao dia e a hora em que poderemos nos encontrar...
Antes não havia essa inconstância.
Antes não havia esse arrependimento de não me arrepender...

Flor

sábado, 8 de agosto de 2009

Em má Compania >> capítulo II>> Aos 13

Como todo adolescente, eu era egocêntrica e rebelde. Minha vida era uma merda, mas não era tão ruim a ponto de me fazer cometer suicídio, nem eu teria essa coragem. Fora alguns cortes superficiais nos pulsos e a bebedeira convencional (nada convencional, eu diria) nunca tentei, de fato, a morte.
Eu tinha treze anos, era uma virgenzinha patética mas me achava o máximo.
Foi naquele dia, não lembro bem se era quinta ou sexta-feira.
Joey e eu estávamos no Passeio Publico olhando para os carros que passavam bem abaixo de nós. Estávamos sentadas na cobertura do Teatro vila Velha e tínhamos a visão de toda a Gamboa de cima, a de Baixo e o mar...

- O que você acha?
- Do que?
-De morrer?
- Sei lá, não morri ainda... acho que a gente morre acaba, então, nunca saberemos.
- Tô falando da gente pular daqui agora. O que você acha? Provavelmente a gente vai ter a sensação de voar por meio segundo e depois vai bater no chão com muita força...
- Nem. Provavelmente vamos cair em cima de algum carro e além de morrer vamos matar mais umas duas ou três pessoas...
- Ou então a gente cai no chão e depois um carro passa por cima da gente...
- É, tem essa possibilidade também...
- Você acha que a gente morre da queda ou do atropelamento?
- Sei lá...
- E aí, vai?
- Legal...
- Legal?
- Se você for eu vou ter que ir né...


Eu era muito corajosa naquela época, mesmo assim tive um frio na barriga por dizer aquilo. E tive medo que ela estivesse realmente falando sério.
Aos treze eu tinha pesadelos com o mar. Esses pesadelos me perseguem até hoje...
Sonho que entro na água na água morna de Ondina, quase flutuando.
Daí mergulho e é como se eu pudesse ficar debaixo d’água por horas sem respirar, ou talvez respirando sem perceber, como um peixe...
Daí me dou conta de que estou submersa e levo um susto e me falta o ar.
Então eu tento inutilmente emergir, mas uma camada grossa de gelo me prende. E logo eu estou sufocando em um caixão gelado.
Sempre soube que é assim que vou morrer. Presa, sufocada.
Naquela época tinha esse pesadelo de três a quatro vezes por semana, às vezes várias vezes na mesma noite. Sempre desse mesmo jeito. Às vezes até de forma consciente, sabendo que estava sonhando, mesmo assim acordava ofegante como se escapasse da morte mais uma vez...
Por causa desses presságios adquiri uma claustrofobia que me impede de entrar em elevadores...
Joey me olhou entre a duvida e a certeza.
Eu falava sério, ela não.
Ela tirou um maço de Royalle de menta da mochila, meu predileto. Fumamos três cigarros em silencio olhando o mar...
Eu olhava o mar e pensava em meus pesadelos...

Por Luisa Blue

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Balada do amor de Chico...

Foi como um estalo.

Chico teve uma idéia e uma lâmpada de luz amarela se acendeu sob sua cabeça. A lâmpada iluminou o deposito do almoxarifado. Chico era auxiliar de almoxarife. Nem todo mundo sabe o que faz um auxiliar de almoxarife, o Chico também não sabia quando leu o anuncio no jornal, mas achou melhor se oferecer para essa vaga já que também não falava inglês para ser operador de telemarketing, e com um nome tão difícil, Chico achou que isso era pré-requisito básico.
Chico não era muito de pensar, mas naquela tarde eve uma idéia.
Já trabalhava como auxiliar de almoxarife há cinco meses. Ganhava um salário mínimo, vale transporte e alguns plásticos com bolhinhas para passar o tempo na hora do almoço. Era um bom passatempo já que ele não podia ir para muito longe, pois só restava 15 minutos de descanso depois de comer a comida fria que ele trazia de casa e que não dava para requentar no escritório do almoxarifado pois o microondas estavas quebrados há anos.
Há dias ele imaginava uma boa forma de chamar a atenção de Gilda, sua companheira de trabalho, secretária e recepcionista.
Ele sabia que Toinho, o cara da xérox, arrastava um bonde por ela. Mas esse já era carta fora do baralho. A própria Gilda dizia pra todas as freguesias que não se interessava por operadores de foto copiadoras. Além disso ela estava de caso mesmo era com o Maciel, supervisor de vendas. Maciel tinha carro, ganhava mais que todo mundo. Chico não, ainda andava de ônibus e morava com a mãe.
Chico não era muito de pensar, mas naqueles dias bem que estava gostando de pensar nas pernas de Gilda. Naquele cabelo loiro, naquele batom vermelho...
Mas ele sabia que era difícil competir com o Maciel. Homem culto, lia Zibia Gaspareto e algumas poesias. Gilda gostava dessas coisas, vivia suspirando pelos galãs dos folhetins que lia. Por isso, Chico decidira:
Escreveria uma carta de amor para Gilda. Uma carta sensível e apaixonada.
Apaixonado, Chico sabia que estava. Só faltava a parte do sensível. A idéia de jirico, só faltava ter idéia de como escrever uma carta de amor.

Foi aí que eu entrei na dança. Caí de pára-quedas na história de Chico e Gilda, por que Chico só queria amar Gilda, e Gilda só queria alguém que a quisesse. Chico me procurou em casa pela minha fama de poeta.
Estava quase aos prantos. Não sabia bem o que me pedir. Só me pediu ajuda. Eu, que não podia ver um coração apaixonado tão aflito, decidi ajudar Chico a conquistar sua amada Gilda. Foi fácil, tirei da gaveta um de meus poemas, um que falava de flores e o amor de Gilda. Pus num belo envelope e Chico deu um jeito de fazer ele chegar a mesa da recepção da moça. Posso até imaginar a cara dela quando leu a declaração.
Toda mulher é curiosa, mas como eu podia imaginar que dentro daquele tubinho cor-de-rosa existia uma detetive nata? Depois da segunda carta, Gilda decidiu investigar. A ela não interessava amores platônicos. Queria ver a cara de quem a admirava. Poderia ser qualquer um, Gilda era a única mulher em toda a firma. Mas foi batata! Quando Chico escondeu a terceira carta debaixo do mouse do computador de Gilda, ela o descobriu. E de burra essa loira Gilda não nada...
Juntou A com B e sabia que Chico, aquele auxiliar de almoxarife, que comia comida fria e passava todo o tempo estourando bolhinhas, não poderia ter escritos versos tão singelos como "seu cabelo dourado que reluz como ouro ao sol; branco sorriso e o canto de um rouxinol." Ele nunca escreveria algo assim.
Gilda passou a observar Chico mais de perto. Até conversava com ele mais vezes, e um dia convidou-o para almoçar. Começamos a achar que o plano estava saindo melhor que o esperado. Mas assim que pôde, a bela Gilda deu o bote. Seguiu Chico até a esquina onde eu lhe entreguei a quarta carta.
E foi assim que ela me encontrou. Me seguiu até em casa e esperou que eu saísse para invadir. Remexeu minhas gavetas, onde encontrou a foto dela. Chico havia me emprestado para que eu fizesse um retrato. Ela encontrou meus poemas para ela e achou também a minha carta.
Foi assim que entrei na história de Chico e Gilda.
Chico só queria amar Gilda e Gilda só queria alguém que a quisesse. Eu quis Gilda assim que vi aquela fotografia e escrevi a carta para mim, só para desabafar a minha angustia por estar apaixonado pela Gilda que pertencia ao Chico. Eu queria ajudar Chico, não podia ver um coração apaixonado tão aflito. Quando cheguei em casa encontrei Gilda me olhando manhosa e essa foi a ultima vez que pensei em Chico.

Foi como um estalo. Um raio caindo outra vez na mesma árvore. Chico teve uma idéia e uma lâmpada de luz amarela acendeu-se sob sua cabeça. A lâmpada iluminou o quarto dos pais de Chico. O pai de Chico era militar. Morreu de cirrose sem honras por ter desertado. Deixou para ele uma mãe doente, algumas dividas, e um 38.
Chico abriu a gaveta onde há dez anos guardava sua herança. Há meses Chico imaginava uma forma de arrancar de seu peito aquela dor tão dilacerante que nem ele conseguia compreender. A idéia de jirico ele já teve, só faltava a coragem de fazer.
Eu abri a porta e dei de cara com o revolver do pai de Chico apontado para o meu nariz. Gilda saiu distraída da cozinha, faceira como sempre perguntando quem era. Quando viu Chico armado e chorando correu para perto de mim. Na minha frente como um escudo. Chico ficou confuso mas estava disposto a matar os dois. Pensava que era a única forma de se livrar daquela dor.
Chico não era muito de pensar, mas ultimamente pensava muito nisso. Por isso puxou o gatilho e nós todos ouvimos um clic. A arma não disparou.
Gilda caiu desmaiada
Eu caí de joelhos
Chico caiu numa gargalhada de dar dó.
Ficou olhando a arma e rindo. Depois chorou. E foi um riso cheio de lágrimas.
Chico não era de pensar mas acho que pensou que a arma não estava carregada. Eu também pensei. Ele apontou a arma para o próprio coração. Eu não ouvia o que ele dizia. Estava tonto. Só ouvi o tiro depois o baque do Chico no chão.
Depois Gilda desmaiando outra vez...

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Pobre bailarina entediada

Um tanto empapuçada vivia a bailarina
vivia a bailarina cansada de bailar
a bailarina cansada parece que não vivia
não vivia, pobre bailarina sua sina, dançar!

Como bailarina sorria?
Não sorria a bailarina se sorria sorria triste
sorria triste e sem alegria.

Enfadonha vida, pobre bailarina
mas dantes não fora sempre assim
dantes bailarina bailava alegre
da alegria verdadeira dos que amam
da alegria verdadeira dos livres para amar o que dançam

Tempo passa e bailarina ficou assim...

Muda bailarina, sai da dança vem pro circo
fazer malabarismo e arriscar quebrar o nariz
Muda bailarina sai da dança vem pra lona
vem aqui pra ver se dá pra ser outra boneca nova
vem, muda pra ser feliz...

Um tanto empapuçada vivia a malabarista
vivia a malabarista cansada de seus aros e véus
a malabarista cansada parece que não vivia
Não vivia, pobre malabarista, sua sina...

Muda...
muda e vem dançar
se dançar não agrada vem correr de olhos fechados
se assim não te apetece
então vem fazer poesia
se assim mesmo te entristece
desce do céu bailarina
deixa a lona
volta para os tormentos dos homens...

volta pra tua inconstância

(E Flor voltou)