Quem nos quer

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Conto de primavera... sobre fantasmas e outras lendas

Sempre chove fino nos dias que precedem a primavera... Certa vez, ao chegar da escola deparou-se com os olhos mais verdes que jamais vira em todos os seus doze anos de existência.
Ela ensaiou um grito agudo, mas calou-se num soluço abafado. Elvis a fitava da parede em frente à porta que ela ainda não fechara. Tinha os cabelos dourados e um sorriso enigmático.
Claro que já vira Elvis Presley na tv, mas aquele encontro foi mais que assustador. Foi revelador, apaixonante...
Todos os dias e durante duas semanas, ela descia as escadas e, sem olhar para trás, corria até a porta e saia para a rua. Sabia que ele a acompanhava com olhar e aquele sorriso que lhe causava um frio lamínico na espinha.
À tarde, abria a porta olhando para os pés, ou fechava os olhos bem apertados para não dar de cara com seus fantasmas.
Foi numa tarde de solstício. A chuva era de açoite mas já ia parar por que era seu aniversário. Ela entrou primaveril e corajosa para encará-lo.
Elvis não estava mais lá. A parede estava nua a espera de outra moldura já providenciada
em cima do sofá. Cavalos. Sua mãe adorava cavalos.
Sentiu alivio. Liberdade. Sentiu tristeza. Uma angustia a pairava. Tanto tempo fugindo de seu olhar flertivo... Apaixonou-se?
Triste subiu as escadas. Triste passou pelo corredor. Triste abriu a porta do quarto e fechou, e despiu-se, e olhou no espelho seu corpo magro e juvenil.
Sentiu borboletas no estomago e não era fome. Era pudor. Era vergonha.
Elvis a observava da parede. Estava bem acima da cama, de frente para o espelho. Ele sorria e ela retribuiu evidenciando as covinhas do rosto. Sentiu todos os pêlos do corpo arrepiando. Cobriu-se. Correu para fora do quarto, correu para o banheiro, estava sozinha, a casa vazia.
Teve medo mais uma vez. Medo e desejo. Mas sua mente era jovem, infantil. O desejo confundiu-se, achou que era vontade de fazer xixi e fez. Foi tomar banho.
A água estava fria e ela sentia sua presença. Elvis estava em sua mente. Estava lá com ela vendo a água fria do chuveiro tocar sua pele leitosa.
Primeiro as mãos de dedos finos e unhas ruídas. Depois os pés magros e as pernas até os joelhos machucados por quedas e peraltices. Molhou a cabeça, a água escorria pelos cachos dos longos cabelos castanhos, escorria pelos ombros e braços, barriga e pélvis.
Elvis a via, a falta de pêlos pubianos, e ela sentia sua presença e sentia seu cheiro de morte. Fantasma! Era um cheiro de rosas, um cheiro fresco de rosas. Foi ele que a fez esfregar o corpo com mais sutileza, ele a acariciava. Eram as mãos dele em suas mãos contornando os montículos onde nasceriam os seios. Pernas, pés, braços, costas, pescoço, rosto, cabelos...
Vergonhosamente, explorava as parte mais intimas de seu corpo e mente. Seus sentidos a dominavam, seus pudores a condenavam, sua inocência mistificava a plenitude natural de suas descobertas...

... Elvis sorri todos os dias na parede do quarto a sua espera.



6 comentários:

Alan Félix disse...

Achei o texto lindo... ainda vou transar com um poster da Angelina Jolie.

Luciana disse...

Tbm achei lindo(apesar de nunca ter tido um ídolo assim,por quem eu me apaixonasse.Coisa normal de adolescente né?)
Foi a Lucy que escreveu não?

Pantera disse...

Gostei do texto. É difícil uma boa narrativa na web.

http://paralaxehiperbolica.blogspot.com

Valter disse...

Biazudaaa, a menina tá se masturbando na intenção do Elvis????? PUTA QUE PARIU!!!! KKKKK

Luis de Camargo disse...

é siririca mermo meu filho.. siriricaaaa


e meu texto lôra, publica ou não publica?

Ferdi disse...

HÁ, que texto ótimo!