Quem nos quer

sábado, 7 de novembro de 2009

Em má compania>> capítulo XVII >> A luz azul e outras alucinações

Estávamos bêbados e eu olhava o céu sem estrelas, sem lua, apenas o breu cinzento das nuvens de chuva.
Ozzy deitou-se ao meu lado na areia úmida, puxou uma mecha do meu cabelo vermelho e cacheado e começou a enrolar entre os dedos olhando para o mesmo céu.
Estávamos bêbados e estávamos sozinhos naquela praia deserta de madrugada. Todos já haviam ido embora inclusive Joey. Ozzy e eu ficamos, transamos na água salgada e estávamos apenas deitados olhando para dentro de nossos pensamentos.
Estávamos bêbados e uma luz penetrou o denso cinza das nuvens.
“Puta merda!”, “Qual foi Ozzy?”, “To chapadão.”, “então ta, então.”, “Ta vendo aquilo ali?”.
Eu via muito embaçado tanto pela falta de óculos quanto pelo excesso de vinho barato. Eu via aquela luz e muitas coisas passavam pela minha cabeça menos o obvio. “Porra, você acredita em ETs?”, “Vai pra porra Ozzy!”.
A luz crescia, parecia vir do horizonte em nossa direção. Estávamos completamente sozinhos. Dois bêbados e uma luz azul que parecia pronta para nos engolir.
Eu abri bem os olhos tentando manter minha retina no lugar. Ainda estava tonta por causa da mistura de vinho, cerveja, vodka, whisky  e maconha e era difícil fixar o olhar. Tudo girava. Eu tinha sono.
Ozzy estava assustado, parecia estar no meio de uma alucinação, eu também estava. Mesmo assim continuamos deitados imóveis olhando para o céu atrás do mar.
De repente tudo a nossa volta se iluminou. Ozzy cantarolava uma daquelas musicas chicletes do Aerosmith, não lembro qual.
Mas quando o clarão nos pegou eu fechei os olhos e ainda assim continuava a ver aquela luz intensa. Azul, nem fria, nem quente. A tontura passou, a voz de Ozzy se distanciou. Estava consciente, mas era como se não estivesse.
Não tinha duvidas. Não estava mais na praia. Não sentia mais a areia úmida em minhas costas, nem o vento, nem Ozzy. Não havia nada. Mesmo assim eu não tinha duvidas de onde eu estava. Mesmo não sabendo onde estava.
Tudo escureceu e eu me vi num sonho. Eu sabia que era sonho. Eu sabia que a qualquer momento chegaria àquele penhasco de onde eu cairia, cairia, cairia e cairia. Seria uma queda infinita. Infinita até eu acordar. E enquanto eu caia, eu dizia a mim mesma “ora vamos, acorde isso é só mais uma versão daquele sonho manjado”, algo gelado me engoliu até a cintura.
Estremeci. Não era sonho. Era o mar.
A maré subira enquanto dormimos. O sol trazia uma manhã amarela. Pessoas passavam marchando de moleton e sunga e nos olhavam com ar de dúvida e reprovação.
Um cachorro cor-de-caramelo veio lamber o meu rosto. Ozzy roncava como um urso velho.


9 comentários:

Marcelo Mayer disse...

indigestão praiana de morcego

Luciana disse...

Ufa,pensei que tinha tido uma overdose!rs rs

Bia Monteiro disse...

Méo deusooO...rsrs
Bjuuu e boa semaninha!
=)

Valter disse...

Que lombra biazuuda... kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Bia Monteiro disse...

Xaráaa...
Tem presente pra ti no meu blog
Passa lá depois pra buscar...
Bjo grandee
=)

bruno disse...

porra!! a parte do cachorro até aceito mas, essa do ronco.....eu n ronco bia...já dormiu na minha presença várias vezes e nunca percebeu isso...!!! tb..vc só dormia bêbada..kkkkkkkkkkkk

bruno disse...

vcs precisavam ver quando essa figura e joey resolviam tomar banho de somente de calcinha em plena luz do dia!!!!!

bruno disse...

Bia que praia era mesmo aquela????....n me recordo..kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk!!!!.....tá vendo, secou a garrafa toda e depois fica vendo coisas caóticas!!! kkkkkkkkkkkkkkkkk

Bia Ferreira disse...

Ozzy, isso é literatura meu bem... liberdade de criação.. lembra???