Quem nos quer

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Sou gonzo e gosto de coisa velha... ou ensaio sobre LSD

reedição do "sempre chove"


Meu Beatle predileto sempre foi o George, ele era o mais introspectivo e eu sempre me identifiquei com aquela relativa timidez.

St. Peppers Lonely... é o melhor álbum já lançado e é quase inteiro de autoria do Paul McCartiney, mas a melhor musica é do John Lenon, “Lucy in the sky with diamonds”...

O Ringo sempre foi o mais engraçado...

Nunca vivi a era Beatles, quando eu nasci, o Jhon já estava morto, o Paul já estava em guerra com a Yoko por causa dos direitos autorais (depois comprados pelo Michael Jackson que hoje está morto mesmo deixando a sensação de que ele é eterno), o George tinha virado um maníaco religioso...

Passei a infância ouvindo os discos do George, odiando a Yoko, achando o Paul um mercenário e me perguntando: Por onde anda o Ringo?

Não lembro quando foi a primeira vez que ouvi “Lucy In the sky with diamonds”, mas lembro de quando ela se tornou minha música predileta. Eu devia ter uns 14 anos quando fui apresentada ao disco em pessoa. Super conservado com um leve cheiro de naftalina, guardado num baú de madeira, com a capa plastificada...

Não lembro o nome do garoto, ele pôs o vinil na vitrolinha vermelha em forma de maleta (daquelas portáteis, eu sempre quis ter uma), bem baixinho pra ninguém da sala perceber. O pai dele tinha verdadeira adoração por aquele disco e se nos descobrisse “arrancaria nossos fígados”, como ele mesmo costumava dizer. Naquela tarde fui beijada, pela primeira vez com trilha sonora. Quem nunca teve trilha sonora pra alguma coisa na vida? Antes daquele episódio, eu imaginava qualquer música enquanto beijava. Até hoje sou assim, fico cantarolando só no pensamento músicas bobas e românticas. É como no cinema, não importa do que seja o filme, sempre que rola beijo, tem que ter musiquinha. Beijo lembra musica, e existem muitas músicas que nos deixam com uma vontade de beijar... Na verdade acho que música faz parte de tudo. Adoro tomar banho ouvindo “Storm Weather”, na voz da Billie Holiday. Quando acordo, penso em “Redemention song”, do Bob Marley. Pra escrever, gosto de “La dispute”, tema do filme “O fabuloso destino de amelie poulain”, uma comédia francesa muito intrigante...

Isso sem contar naquelas músicas mais envolventes para momentos mais picantes (?) - na falta de outro adjetivo...

Para mim, existe trilha sonora para tudo, inclusive (e principalmente) para chorar de dor de cotovelo, na verdade, pra isso, o mercado fonográfico está abarrotado. O beijo e nome do menino eu esqueci em pouco tempo (não lembro mesmo!), mas “Lucy in the sky...” se tornou um hino. È a minha música para momentos triste e nostálgicos, se bem que nem sempre a nostalgia é triste. Estive obcecada por ela até os 16 anos. Era um símbolo de rebeldia, enquanto todos os meus amigos ouviam “segure o Tchan” (alguém pode me dizer que diabos é ‘tchan’, que até hoje eu não sei?), eu ouvia Beatles e Rolling Stones no último volume, sob as críticas, inclusive da minha mãe, que dizia “essa menina é doida e só gosta de coisa velha”, “Essa música é de antes de eu nascer”... Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band é de 1964, o ano em que ela nasceu. Quando LSD (a música) foi lançada, proibiram sua execução em varias rádios de vários países, por haver suspeitas de que Jhon estaria fazendo apologia ao LSD (a droga). Mais um motivo pra eu me identificar com a garota de olhos de caleidoscópio, tão injustiçada... Ultimamente tenho sofrido de um mal benigno chamado paixonite aguda. “Lucy in the sky with diamonds” tocou na noite em que nos conhecemos e desde então embala nossos beijos que me fazem sentir sentada entre arvores de tangerinas, num céu cheio de diamantes. Meu menino é ingênuo e não se dá conta dessas coisas. Não sabe que eu me apaixonei por ele no momento em que tocaram a minha canção. Sempre que eu me apaixono, e isso não acontece com muita freqüência, fico procurando letras e melodias que tenham alguma relação com o momento. Algo que diga (pra mim mesma) o que estou sentindo. Nada, também, muito burocrático. Não me imaginem arquivando músicas, catalogando melodias, traduzindo letras... (risos). É algo mais espontâneo. Já repararam que sempre aparece uma música que expressa exatamente o que estamos vivendo? E nem precisa “procurar” muito, geralmente ligamos o rádio, do nada, ou pegamos emprestado o CD de algum amigo, e lá está ela, a música que nos diz exatamente o que queremos ouvir. “Lucy in the sky...” não fala de amor (embora eu ache que, tecnicamente, todas as músicas falam de amor), e eu ainda estou naquela fase das confusões, de não saber o que, de fato, se sente. Só aquela saudadezinha sem horário (um dia quis ligar às 3 da madrugada), um querer bem desmedido, desproporcional ao tempo, e, uma vontade doida de fazer perguntas bobas como “qual sua cor predileta?” ou “você gosta de mim de verdade?”. Hoje eu penso muito nos Beatles, principalmente quando ligo o rádio, assim só por ligar (da mesma forma que abrimos a geladeira, assim só por abrir), e dificilmente escuto alguma música que me diga o que eu quero ouvir. As músicas de hoje estão cheias de uma gosma apelativa recheada de imperativos sexuais e sacanas, rimas sujas e chulas. Acho que a última grande novidade musical no Brasil, foi o Mangue Beach do Chico, Nação e Cia… Beatles é inexplicavelmente uma saudade pra mim. Saudade de algo que nunca tive. Quase a mesma saudade que temos quando amamos, saudade de um passado que nunca existiu.
PS: Alguém tem notícias do Ringo???


Um certo Diabinho me inspirou nessa tarde de 2006...



Lucy in the sky

6 comentários:

Marta disse...

Meu Beatle predileto é o Paul. Bele texto, tem uns ganchos interessantes.

Migule disse...

Cadê os texto da Gu!?

Migule disse...

Tarado nada, só que vc está provando que eu estava certo.

Migule disse...

"Gu! está em mim", foi o que vc disseeeeeee.
Quando vc tinha o "blog da Gu!" era mais livre... eu sabia que vc ia ficar com vergonha.. hahahahahahahahaha

bia boba

Bia Ferreira disse...

Vou dar pra moderar os comentários

Gabriel disse...

Voce voltou pra blogosfera..que legal...Demorei pra me lembrar que era voce...muito legal...muito legal mesmo...
beijo