Quem nos quer

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Carta aos amores que me deixaram...

"Rose, oh reiner widersprunch, Lust, Niemandes shafzu sien unter soviel lidern...''

Nem um pouco lisonjeada eu me sinto por ser a primeira mulher a lhe fazer chorar. Gostaria muito que fossem lágrimas de alegria, pois é a única coisa que um sentimento como o amor que lhe tenho, deveria causar. Não me fale de lágrimas, elas caem agora e caem sempre que penso que nunca mais estarei no seu olhar (e é um olhar que me causa tantas sensações)...
Amo-te ainda mais, não me condene por isso. Já havia, porém, me conformado com o lugar que ocupa em minha vida. É um amor platônico e inatingível como num conto Shakespeariano (por que nada melhor para separar o amor, do que as próprias pessoas, não há nada de sobrenatural em finais tão infelizes).
A cada dia sinto mais a sua falta, a cada dia quero mais o seu cheiro, o seu gosto a sua pele, sinto-me triste. Teu silêncio me dilacera. Mas creio que sou mais forte do que pensava ser, estou indo bem até agora sem você (esmorecendo às vezes, mas a tez sempre resplandece um sorriso sossegado, afinal, é apenas para mim a minha melancolia). Carrego-te junto a mim em meus pensamentos e sonhos, em um mundo paralelo e alheio aos meus devaneios. Oras, nada disso depende necessariamente do fato de você me corresponder ou não. Sinto-me até mais triste por saber que sofres também, agora sofro com o teu sofrimento.
Se quer me esquecer meu amor, vá em frente. Já fizeste tuas escolhas e eu já esperava não fazer parte delas, sigo amando você e as lembranças que são tão poucas e a cada dia tornam-se mais vagas.
É involuntário que tenho a sensação de que serei sempre sua, talvez nem o seja, oras quantas vezes pode-se amar na vida? Mas guardo-te com todo carinho.
Entristece-me ver um sentimento tão bom e jovem morrendo assim aos poucos, sem sequer brotar direito, mas há muito já havia perdido as esperanças de tê-lo. Sou impulsiva, às vezes não controlo minhas ações, mesmo decidida a deixar-te em paz, não controlo impulsos fortes de te ligar, ir procurá-lo... Quando te liguei foi num ímpeto louco de ouvir tua voz.  Eu precisava tanto, ah como eu precisava ter pelo menos um pedacinho de você... Não posso prometer que tenha sido a ultima vez, mas tentarei fazer a vontade que você me demonstra, tentarei ignorar a força que me atrai para ti.
Meu menino não entendo, sinceramente não entendo suas razões, nunca pedi para que abandonasse qualquer coisa por mim, nem acho que haja a necessidade de medidas tão drásticas, muito pelo contrário me contentava em apenas fazer parte dessa sua vida tão complicada (pelo menos é o que você faz parecer). Seria bom, ser para você um refugio, um lugar onde você sossega a alma (a sua liberdade, mas pra que tanta liberdade? Eu seria apenas uma gota quando você precisasse). Por que deveria desistir de qualquer coisa, se pode ter tudo?
 Perdoe-me, mas não consigo afastar de meus pensamentos uma pontinha de desconfiança em tuas palavras de consolo. É como disse uma vez à você, e agora você não me decepciona agindo exatamente como eu esperava.
Estou triste, por que o amor que te reservo é tão bonito e me trouxe tanta alegria quando o senti brotar aqui dentro de mim, é uma pena ele ter se transformado em tantas lágrimas, em tantas dúvidas, em tanto descontentamento.
Não o julgo covarde, acho que não me quer e é só. Se me quisesse tanto quanto eu te quero, sequer verias barreiras, mas sei que exerço em você nada mais que uma forte atração e isso não é suficiente para você mesmo. Não o julgo, também não me daria ao trabalho.   Se me amasse como te amo meu (ah, se amasse...) não se importaria com nenhum desses empecilhos como eu não me importo, teria a mesma esperança que eu já cheguei a ter. A esperança de fazer parte do seu coração, de ser sua por inteiro. Você me julga muito mal e acha que eu seria capaz de impor a você qualquer escolha, ainda mais uma tão importante. Como poderia ser sua liberdade te privando de seus brios, de sua boa conduta, e até de suas limitações?
Eu o quero, o quero muito, mas não quero forçá-lo a nada. Não quero que se arrependa por nada, como eu nunca me arrependo...
Ah sim, como me sufoca a falta que me faz nossas noites de amor (ou sexo, como queira, mas separo bem as coisas), se soubesse o quanto o desejo, o quanto sou impulsiva a ir ao teu encontro só para deixar-te possuir-me nem que apenas por uma ultima noite, como numa música que diz "me abrace, me beije, me ame e depois me mande embora, que eu vou feliz da vida, amor"... Pelo menos teria mais do que alimentar meus devaneios. Saberia mais uma vez  qual o teu gosto e os cheiros que exalam o teu prazer e os sons e as cócegas benignas que tua voz me faz ao ouvido. Sinto-me tão tola por pensar assim. Sinto-me tão tola por me entregar dessa forma a alguém que me dá certeza que não me corresponde. Mas o que posso fazer, sempre que fecho os olhos você está aqui. Devo deixar de ouvir Billie Holiday, deixar de ler suas palavras no café e decifrar cada palavra como se fossem dirigidas a mim, devo parar de beber café? Não há o que fazer, se você já está tão impregnado em mim, se já associo tudo o que gosto a você. Antes de dormir eu te digo boa noite. E às vezes sonho com a tua voz macia me dizendo que me adora, adora a mim, a tua boneca, a tua...
 Mas quem disse que o amor é recíproco?  Se foi você mesmo quem me disse que "um sempre ama mais que o outro, é impossível encontrar a sintonia".
Você apenas desistiu de mim, desistiu por encontrar um obstáculo, preferiu dar meia volta. Não se preocupe, não me magoou, feriu-me superficialmente, até por que eu já estava bem preparada para tudo, para a dor...(lembre-se que mesmo acreditando em tudo o que me dizem, eu sempre espero o pior de todos, é assim que não me decepciono).
Essa se tornou uma carta muito longa, talvez eu corte algumas arestas... Talvez convenha apenas dizer que eu não desisto de você, não me arrependo te amar e esperar. Estarei aqui , sempre aqui se me quiser, mesmo que eu queira fazer o contrario, sou o que sinto e não há nada que eu possa fazer para deixar de te querer e de querer somente você. Não me fale em amor próprio, ah sim o tenho, mas também sou alheia ao meu coração, sou alheia ao bel prazer do meu amor. Nada tenho a fazer a não ser me entregar como vassala ao destino.
Se quer o meu silêncio meu amor, você o terá, terá de mim o que quiser, sempre... Terá o meu abraço se decidir voltar atrás, terá o meu corpo se apenas me desejar, terá a minha alma basta vir buscar...

Amo-te tanto e como ultimo suspiro peço-te, por favor, não me deixes...


PS: A tradução do poema de Rilke:
"Rosa, oh contradição pura, desejo de ser sono de ninguém sobre tantas pálpebras"


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