Quem nos quer

domingo, 26 de abril de 2009

Em má compania: capítulo 3 Libertação

Lembro da primeira vez que ouvi Janis Joplin. Estávamos na casa de Ozzy nos preparando para uma festa. Não me lembro bem qual ocasião, mas naquela época, não precisávamos de motivos para comemorar.
Ozzy, Joey e eu estávamos na sala, sobre o sofá, jogados um por cima do outro. A fita do Exorcista passava no vídeo cassete. Já havíamos assistido aquele filme um milhão de vezes (32 vezes pelas minhas contas e nem era meu filme predileto), nem prestávamos mais atenção.
Ozzy decidiu colocar uma música. Blur, se não me engano. O próximo CD da bandeja era uma coletânea do tio dele. Começou a tocar sem que percebêssemos, talvez pelo efeito do vinho, talvez pelo tédio característico.
Daí ela começou. “Cry baby” a principio, me pareceu uma gritaria infernal. Depois tudo ganha sonoridade, até cores... PSICODELIA PURA! Nesse momento percebi o quanto ignorava música, não sabia absolutamente nada sobre o verdadeiro rock n’ roll. Nirvana, iron madem, Ramones... nada disso valia sem Beatles, Rolling stones e velvet underground...
Aos 13 eu bebia vinho de garrafa de plástico, vodka barata com refrigerante mais barato ainda, ficava de pileque e nadava nua pela praia da Barra. Janis me fez sentir livre e ao mesmo tempo presa a todos os paradigmas e cacoetes de “metaleira farofada”.
Desde que decidi gostar de rock n’ roll (se é que isso é uma decisão), sempre tive essa obstinação de me identificar com um conceito. Tinha uma pontinha de inveja de alguns amigos tão auto-afirmados metaleiros, gruges, góticos... (apesar de gostar muito de The Cure) Eu nunca me encaixei em nada disso.
Sempre gostei de cores, sou alegre desde menina e mesmo com aquela tristeza (ou tédio excessivo) característico da adolescência, nunca fui suficientemente triste para ser gótica. Por gostar de literatura e conseqüentemente prestar muita atenção a letra, à métrica e à melodia da música, também não poderia me entregar aos gemidos, urros e grunhidos do hard metal.
Mesmo assim, apreciava o Sepultura.
Também não era assim tão rebelde, tão sem causa para ser uma grunge completa. Mas Janis me libertou de tudo isso, de toda essa agonia. E nem era por não me remeter diretamente a todos esse (pré)conceitos, mas puramente por me colocar no lugar iluminista de descobridora.
A partir de Janis, para mim tanto fazia ser ou não ser de alguma tribo.
Eu queria mais era ouvir tudo o que eu nunca tinha ouvido antes.
Eu queria experimentar mais, muito mais daquela sensação de descobrir e de ser descoberta por mim mesma. Aos treze tudo em mim era à flor-da-pele. Tudo era incontido. Tudo era simplesmente absorvido.
Por Luisa Blue

Um comentário:

Raysla Camelo disse...

Eu já disse que adoro a Luisa?