Quem nos quer

terça-feira, 5 de maio de 2009

O palhaço do circo que flutua...

O palhaço do circo que flutua
Era só alegria, risos e gargalhadas.
Nunca houve outra criatura
Que no mundo nos fizesse dar mais risadas


Mas o palhaço de nariz vermelho e apito
Guarda consigo um grande segredo
Há alguns anos já andava meio aflito
Pois o seu coração não passa de um desenho em alto relevo

Era um palhaço sem coração
Toda a sua alegria vazia
Sequer compreendia tanta emoção

Os outros do circo que flutuava
Do palhaço sem coração riam pelas costas
Por que sempre depois do espetáculo
Ele se tornava uma vã criatura em busca de respostas

O palhaço se perguntava:
Algum dia teve ele um coração?
Nascera assim, ou assim o fizeram?
Se sim não lembrava, se não quem será o ladrão?

O velho dono do circo lhe disse um dia
Ladrão não haveria de ser
Só quem rouba coração é mulher
Que devora tudo até nada mais haver

Mas possível aquela história não seria
Nunca o palhaço esteve apaixonado
Não lembrava nenhum tempo sem alegria
Com certeza o velho é que já estava enluarado

Seguia o palhaço com sua alegria sem razão de ser
Quando a luz se apagava, porém, olhava seu peito vazio sem conseguir entender.
Havia lá por debaixo da camisa de bolas coloridas um vão, um buraco profundo.
Ali deveria estar seu coração, exatamente onde estava o de todo mundo!

O palhaço desmemoriado
Dormia triste mas tentava esquecer
E todas as noites durante o espetáculo
azia sua graça até nem mais querer saber

Passaram-se mais alguns anos
E o palhaço nem se lembrava de seu coração
O buraco em seu peito incomodava às vezes
Mas ele desistiu de pensar na questão

Foi aí que uma fada vendo o palhaço em toda a sua graça
Com ele ria e por ele se apaixonou
Todas as noites ela o seguia
E numa dessas seu grande segredo desvendou

Depois de descobrir o palhaço sem coração
A pequena fada não agüentou a desilusão

O palhaço e sua falsa alegria
Fazia rir uma multidão
Mas a fada lembrando o que sabia
No meio da platéia chorava com sofreguidão

E o palhaço vendo aquela única alma triste
Chamou a fadinha de lado para pedir-lhe explicação
- Oras dona fada desembuche, por que esse pranto, qual a razão?

A fada explicou de seu amor
E o palhaço ouvia tudo calado
Ouvia atento e sem entender
O que dizia aquele serzinho alado

- Ora pois, se sou um palhaço e só de palhaçadas entendo
como podes agora querer que eu saiba desse tal amor?
-Não sei nada, eu lamento,
Desculpe, agora pare já este clamor!

A fada explicou que faltava ao palhaço um coração
Sem ele o palhaço nunca entenderia
Seria um infeliz sem noção

O palhaço do circo que flutua
Achou tudo aquilo uma grande chatice
Seu coração nunca lhe fizera falta
E esse tal amor deveria ser uma grande tolice

A fada deu-lhe as coisas e pôs-se a chorar
O palhaço sem emoção abandonou-a
E naquilo não queria mais pensar

Sozinha a fada lamentou
Por seu amor não correspondido
No entanto lembrou, talvez houvesse um jeito
Sorriu e cessou seu gemido

Pôs-se a fuçar sua bolsa de pós e poções mágicas
sorrindo como uma criança
Ali achou um frasquinho púrpura
e estava dentro dele seu pó de esperança

Sabia que era um risco
O coração o palhaço teria
Se seria seu, nada garantia

Mesmo assim decidiu arriscar
E durante a apresentação do palhaço
Seu pó começou a espalhar

O palhaço sentiu dores
Foi ao chão aos gritos
Era seu coração nascendo
A platéia em silêncio, som, só dos grilos.

O palhaço levantou cheio de estranheza e maravilhado
Sorriu um riso verdadeiro e constatou: Estava apaixonado!

Seu amor era Madalena A linda equilibrista
Pobre fadinha decepcionada
Saiu confusa esbarrando no malabarista

E o palhaço com seu novo coração
Correu como um louco
Atrás de sua paixão

Ao encontrar Madalena
O palhaço ajoelhou
Fez-se de homem sério
E para a equilibrista se declarou

A bela jovem sorriu, aliás, gargalhou
Ao ver o palhaço apaixonado
Que em lágrimas se debulhou
Ao ver seu amor recusado

Porém o domador de leão
Nada gostou da ousadia do palhaço
Puxou o galante pra briga
E foi um tremendo estardalhaço

Saiba seu palhaço tolo
O coração de Madalena já tem dono
O palhaço o desafiou para um duelo
E todos incrédulos: "mas que palhaço bobo!"

João o domador, aceitou duelar
O palhaço se inflou de coragem
E os dois se puseram a lutar

Se pegaram os dois numa roda de pancada
Deram-se murros e socos
E o palhaço levou uma facada

Bem no meio do coração
Pobre palhaço sem graça
Morreu de amor por Madalena
Graças a um coração que não lhe valeu de nada.


E findo-se a história do palhaço!!

Dedico à Ricardo, onde quer que ele esteja...

3 comentários:

Uriálisson disse...

Coitado do palhaço,amor lhe deu mais vida,e tambem lhe matou
Reacionario?moderadamente,rs
bjos!

Anônimo disse...

É... findou-se históroia do palhaço

Anônimo disse...

Encontrei seu blog por acaso e adorei as histórias...Só n entendi o q realmente são esses pós e poções mágicas q vc conta...rs
Parabéns